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08.06.2009 - Natal e a Copa

Hoje, quando pululam nos quatro cantos da cidade os “pais” e “mães” do fato de Natal sediar jogos da Copa do Mundo de 2014, num extravagante festival de vaidades e politicagem, surgem também insinuações de que nossa administração não esteve empenhada em tal objetivo. Mas é preciso colocar a verdade no lugar da mentira, sem que ninguém precise votar em mim por causa disso. Afinal, nossa administração não comprou consciências ou versões e não adulterou fatos nem forjou conclusões.

Antes de avançar sobre o tema, voltando à nossa participação nesta questão, quero adiantar que quem fez de Natal uma cidade vitoriosa nessa disputa com outras 18 capitais do país foi a própria Natal. Por sua gente hospitaleira, seu clima saudável, sua paisagem extraordinária, sua localização geográfica excepcional, sua bem montada rede de hospedagem, que só perde em leitos para São Paulo. A meu ver, Natal se fez pai e mãe deste projeto.

Outra citação maledicente é que sou contra o desmanche do Machadão. Vamos pôr ordem nas idéias. Todos sabem que nenhum estádio brasileiro está pronto para receber uma Copa. Tanto que, das 12 cidades escolhidas, 10 delas têm projetos de reforma de seus estádios. Apenas duas irão construir, Recife e Natal, sendo aqui o único projeto que prevê demolição, como sabemos do Machadão, do Machadinho, do kartódromo, do papódromo e do centro administrativo do governo estadual. É muito ônus para a cidade, de vez que tínhamos um projeto de reforma do Machadão feito pelo seu idealizador, o arquiteto Moacyr Gomes, o qual apresentamos à CBF e à FIFA, recebendo sensíveis elogios.

Agora, vamos aos fatos. Dedicamos mais de três meses aos preparativos para concorrer à vaga. A começar pela assinatura do Termo de Compromisso apresentado pela CBF em meados de setembro de 2008, no qual era obrigatória a anuência do Prefeito de Natal e da Governadora do Estado. Logo, as duas esferas de governo formaram uma comissão para responder nos prazos legais a todos os questionamentos, além de apresentar um projeto básico. O passo seguinte foi participar de um seminário FIFA/CBF no Rio de Janeiro e, a seguir, apresentar nosso projeto. Nossa comissão intergovernamental também passou pelo crivo de auditoria da Price, que julgou os aspectos econômicos.

E assim chegamos a dezembro, quando foi encerrada nossa gestão. Não sem antes sermos surpreendidos pela apresentação de um novo projeto, o da Arena das Dunas, diferente do nosso que não previa demolição de um único imóvel na cidade. Cabe citar ainda que nessas demarches, a Prefeitura fez inúmeras reuniões com técnicos do BNDES no sentido de viabilizar o Veículo Leve sobre Trilhos. Estes são os fatos, cabais e irrefutáveis.

Por fim, como ex-gestor da cidade, sinto-me feliz com a escolha de Natal, pois antevejo grandes avanços. Além da possibilidade do VLT, das melhorias no aeroporto Augusto Severo, dos ganhos na economia e das possibilidades de emprego e renda, poderemos impulsionar as obras do aeroporto de cargas e passageiros de São Gonçalo.

Autor: Carlos Eduardo - Advogado e ex-Prefeito de Natal